Por Bruno Marques Louzada
A que ponto chegamos!
Depois do 7x1, a coisa que
mais se discutiu, mais se falou, foi que o futebol brasileiro precisa de uma
renovação urgente. Precisamos mesmo de uma revolução, de cima a baixo, em todos
os setores e níveis, e não é de hoje.
Muito se falou que “Felipão
está ultrapassado”, que “Marin e Del Nero não podem comandar o futebol
brasileiro”, que “Precisamos de um técnico estrangeiro” etc. Bobos somos nós
que acreditamos, em algum momento, que algo mudaria. A CBF é o Circo Brasileiro
de Futebol. E os palhaços somos nós. Nós que acompanhamos diariamente e amamos
o futebol, nós que acreditamos, que temos alguma esperança de mudança.
O anuncio de Gilmar Rinaldi
como o Coordenador de Seleções (afinal, qual é a função desse cara?!) foi, como
bem destacou Lúcio de Castro, da ESPN, um tapa na cara de todos nós. E agora as
informações de que Dunga tem conversas avançadas com os dirigentes da CBF são
mais que um tapa na cara, são um soco no estômago ou uma cotovelada no nariz.
A que ponto chegamos!
Dunga! O mesmo que tratava a
imprensa como lixo, sem discriminação, é verdade, mas tratava igualmente mal a
todos. Um sujeito arrogante e fechado em suas ideias e com seu grupo de
jogadores, independente do que acontecesse. Aquele Dunga que fez um time
pragmático e que jogava um futebol feio, do jeito que não gostamos. Dunga, o
que morreu abraçado com Grafite, Felipe Melo, Julio Baptista e cia.
Felipão conseguiu. Conseguiu
fazer um trabalho tão patético ao lado de Parreira e seu fiel escudeiro Murtosa,
que fez algumas pessoas ter saudade de Dunga! Saudade de Dunga, onde já se
viu...
Não se sabe se Dunga será
mesmo o novo técnico da seleção (tudo indica que sim), mas só de se pensar em
chama-lo de volta, já é um absurdo. Esses são Marin e Del Nero, essa é a
estrutura do nosso futebol (se é que podemos chamar de “nosso”).
Por isso não adianta vir
técnico estrangeiro, nem que sejam Guardiola, Mourinho e Rinus Michels juntos.
E não adianta tirar o Zé das Medalhas e seu sucessor de lá. Piores virão (sim,
é possível!). Precisamos de uma revolução, de cima a baixo, em todos os níveis.
Chega de presidentes de
Federações se perpetuando no poder. Chega de cartolas aumentando as dividas dos
clubes e saindo impunemente. Não dá mais para ter um calendário que deixa
grande parte dos jogadores desempregados por metade do ano. Não precisamos de
uma “bancada da bola” subserviente e amiga dos “poderosos”.
Precisamos de Bom Senso.
Precisamos de Fair Play Financeiro. Precisamos de um novo calendário.
Precisamos de novas divisões de base...
Como diria aquele famoso
personagem do cinema: “O sistema é f***”. Um sistema arcaico e coronelista.
E podem vir Dunga, Tite,
Guardiola ou Valdir Espinosa, nada vai mudar de verdade. Para os que estão no poder,
continuaremos sendo palhaços.
A que ponto chegamos!
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